Introdução

Desde 1979, o Imposto de Renda é o número 1 em arrecadações no Brasil. E é tido por muitos estudiosos como o tributo que tem mais possibilidades de ajudar na redistribuição de renda para os cidadãos e, consequentemente, diminuir a desigualdade social no país.

Sendo assim, por que quando nos aproximamos do período de declaração anual, vemos tantos contribuintes lamentando e criticando o sistema? Quais pontos de melhoria o brasileiro vê? Quais questionamentos são mais frequentes? Qual o posicionamento do governo? Existem detalhes ainda não tão conhecidos pelo contribuinte? 

Neste ano, a STILINGUE acompanhou durante o mês que antecede o prazo de entrega da declaração a discussão nas redes sociais para entender e mapear as conversas em torno deste assunto.

Dados Gerais

Com uma média inferior a 1,3 mil publicações por dia, o debate a respeito do Imposto de Renda, e principalmente, da declaração anual de 2019, foi ganhando mais força nas redes sociais à medida que se aproximava a data limite de entrega.

Os homens foram o principal público ativo, representando 44,8% do volume. Seguidos por marcas com 28,4% e mulheres com 26,8%

Na prática

Como de se esperar e em congruência com o comportamento registrado nos veículos de comunicação tradicionais: dúvidas de como fazer a declaração, dicas de especialistas, passo-a-passo e alertas quanto ao prazo de entrega foram os assuntos mais mencionados no período. Juntos, somaram mais de 55% das menções analisadas.

Gráfico 1: QUANDO estão falando do War-Room STILINGUE

Destaque para os horários das publicações: em uma média geral dos últimos 30 dias, conteúdos com estas abordagens foram mais frequentes a 0h, seguido depois pelas 9h, 10h e 11h da manhã.

Digitalização

A recente digitalização de alguns meios gerou dúvidas, que até então não eram tão recorrentes aos contribuintes: se é possível declarar bitcoins e outras criptomoedas; e como declarar uma conta digital.

Gráfico 2: Termos Relacionados do War-Room STILINGUE

Neste ano, a clássica declaração envolvendo contas em bancos tradicionais fez frente aos novos adeptos aos bancos digitais, como Nubank, Banco Inter, Banco Neon, Banco Original e Agibank.

Peculiaridades” no negócio destas “fintechs” chamaram “atenção” dos contribuintes e reforçaram: estas empresas também possuem obrigatoriedade de fornecer informes de rendimentos a seus clientes e o contribuinte que não declará-la, pode sim, cair na malha fina.

Promessa de Jair Bolsonaro

Em seu período de campanha, o presidente Jair Bolsonaro prometeu o aumento da faixa de isenção para cinco salários mínimos - saindo dos R$ 1.903,98 praticados atualmente, para um teto de R$ 4.990,00. Não tendo sido aplicado no IR2019 e impulsionados pela apresentação de projeto de lei de mesmo cunho por Eduardo Braga (MDB/AM), internautas recuperaram este histórico e clamaram por mudanças. O assunto, por sua vez, alcançou um número superior a 6.7 milhões de contas.

Reforma Tributária

Ainda na esteira de uma possível Reforma Tributária no país, foi-se solicitada a revisão e atualização da tabela do IR.

Desde 1996 sem sofrer reajustes, ela é apontada como uma “vergonha” que prejudica a classe trabalhadora e fortalece um sistema de tributação injusto. O secretário da Receita Federal, Marcos Cintra, foi o mais questionado sobre as medidas. Muitos ainda pediram prioridade em detrimento da tão falada, Reforma da Previdência.

Reforma da Previdência e IR Negativo

Enquanto isso, uma das propostas do governo no projeto de Reforma da Previdência é a criação de capitalização, na qual o trabalhador financiaria a própria aposentadoria. Neste modelo, o ministro Paulo Guedes defendeu ainda a associação de alíquotas negativas de IR para o público mais carente. Apesar do impacto que o projeto teria, a ideia recebeu atenção durante o começo do mês de abril, com a declaração do ministro em evento na Câmara, mas não teve força para se manter na fala dos internautas ao longo do mês. 

Gráfico 3: Evolução no Tempo do War-Room STILINGUE

Lucro sobre dividendos

Um debate que teve em suas principais vozes a figura de políticos da oposição (como a de Marcelo Freixo, deputado federal do PSOL e Reginaldo Lopes, deputado federal do PT) foi o questionamento e pedidos para acabar com a isenção e iniciar a tributação nos lucros e dividendos de empresas, acionistas e seus donos. Apontou-se perdas que somam mais de R$ 50 bilhões por ano para o país.  

Lei Rouanet

Outra fala de Jair Bolsonaro gerou bastante repercussão: ao falar sobre reestruturação na captação via Lei Rouanet, o presidente classificou o projeto como uma “desgraça” utilizada por defensores dos antigos governos e anunciou redução no limite de captação de recursos pela lei de R$ 60 milhões para R$ 1 milhão por projeto.

As réplicas vieram ao lembrar que a lei não se apropria de verbas públicas do Ministério da Cultura, mas sim possibilita uma renúncia fiscal, um incentivo dedutível entre 4% e 6% no Imposto de Renda para pessoas físicas ou jurídicas.

Enfermidades

Portadores de doenças graves também são passíveis de isenção no IR. Doença de Parkinson, AIDS, Hanseníase, Cegueira, Cardiopatia grave, Esclerose Múltipla, Alienação Mental, entre outras, estão entre as doenças que dão este direito ao portador. Detalhes técnicos sobre a solicitação e pedidos para inclusão de diabetes e doença Machado Joseph na lista oficial foram os relatos encontrados.

Crianças e Adolescentes

ONGs e entidades de caridade relembraram e incentivaram campanhas para doação de parte do IR para projetos sociais e de amparo a crianças e adolescentes. Os contribuintes que optarem pelo modelo completo de doação poderão doar até 4% do imposto a estas iniciativas como bem lembraram o Razões para Acreditar, Rede Marista de Solidariedade, Instituto Hahaha e Hospital de Amor.

Sobre a análise

Objetivo: identificar principais conversas, perfis e comunidades responsáveis por pautar a discussão em torno do Imposto de Renda 2019.

Metodologia: o estudo foca no período de 29/03/2019 a 27/04/2019, com um total de 38.477 de menções para a amostra. As redes sociais analisadas foram Facebook, Twitter e Instagram, além de blogs, sites de notícias e comentários. As menções são públicas e liberadas via API de cada um dos sites. Para coleta e análise, foi utilizado o War-Room, ferramenta de monitoramento STILINGUE INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL. 

Sobre o autor

Camila Harumi é formada em jornalismo (Faculdade Cásper Líbero). Experiências com gestão e capacitação de equipes para análises 360º. Atuou como BI, Social Media e com monitoramento de redes, principalmente em gestão e prevenção de crise de imagem. Participou de projetos como eleições presidenciais 2014 e Olimpíadas.

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